Há 8 semanas que cresces em mim.
Já vi o teu coração, ligeiros movimentos… és um ser que cresce dentro de mim.
Estou enjoada e a ficar grande.
Que faço eu para que o enjoo passe?
Há 8 semanas que cresces em mim.
Já vi o teu coração, ligeiros movimentos… és um ser que cresce dentro de mim.
Estou enjoada e a ficar grande.
Que faço eu para que o enjoo passe?
Este fim de semana, enquantia às 3h da manhã uma sereia em massa de açúcar, ouvi o seguinte:
- A senhora é cool!
Foi um respeitoso elogio
Tenho uma dúvida…
Alguém já fez um estudo sobre o impacto ambiental das mamas da Floribela? Quem diz da Floribela diz de todos os implates de maminhas, rabinhos, bochechinhas, perninhas e eventualmente outros.
Já fizeram o estudo sobre o impacto ambiental da minha Nespresso cujo desperdíco é reciclável (com mais ou menos trabalho), mas e o impacto das maminhas?
Se eu colocar hoje umas maminhas novas e se amanhã bater a bota o que é que acontece? Quanto tempo vão demorar os restos mortais das minhas maminhas a decompor? E se eu for cremada? O que acontecem às maminhas?
A minha filha diz-me coisas que me deixa derretida mas, também me diz outras que me deixa completamente no chão… de tristeza.
Manipula e deixa-me sei lá como.
O que se diz quando, depois de a repreender por algum motivo, me diz que seria mais feliz com o pai?
A verdade da mentira é só uma:
- mentimos porque queremos ser aceites.
Não me venham com histórias de que não podemos confundir mentira com omissão, porque a honestidade das duas é exactamente a mesma: a honestidade da ignorância.
Quantas vezes dizemos que nunca se conhece verdadeiramente alguém? Dezenas, centemas, milhares? Isso acontece exactamente porque não nos damos a conhecer, porque se alguém conhecer os nossos podres vai gostar menos de nós.
Criamos uma fantasia de nós próprios e apresentamos como sendo o nosso Eu. Pode ser forte, feliz, sofredor, amargurado, doce… seja o que melhor convier naquele momento, o que nos der mais palmadinhas nas costas. Somos tão crediveis que até chegamos a acreditar naquilo que dizemos.
E o que acontece ao nosso Eu verdadeiro? Apodrece.
Apodrece na angústia da dor que se finge não sentir, do sentimento puritano que a sociedade impõe, no ocultar do nosso instinto animal porque não podemos ser confundidos com macacos.
APODRECE!
Dei por mim apodrecida no correr dos dias e quis gritar.
Apedrejada, acabei caída no chão. Fui cruxificada, mas não para remissão de pecados, porque na verdade em mim não existe já o pecado.
Apedrejada disse adeus. Aquele adeus que se diz quando é para sempre.
A Deus entreguei as minhas armas. Só ele me julgará e a ele caberá a minha pena.
É tudo muito bonito quando se fala em como as pessoas devem dialogar com os seus companheiros, amigos e afins.
O problema começa no momento em que se tem que olhar nos olhos e dizer o que se sente. É que os sentimentos nem sempre são bonitos e por vezes não gostariamos que o outro sentisse aquilo que estamos a sentir. Outras vezes até custa porque nós mesmos não queremos acreditar naquilo que estamos a sentir.
Optamos… ou pela verdade crua, ou pela mentira piedosa.
Desta vez optei pela verdade crua.
- Sabes? Não sou fiel, não sou uma pessoa fiel. Nunca te traí, mas não sou fiel. A minha fidelidade a ti não é natural, é controlada, escolhida. E tenho medo. Tenho medo de te perder por não ser fiel. Sou impulsiva, demasiado. E se tenho um impulso que não controlo e deito tudo a perder. É que eu nem sequer sou uma pessoa que aguente muitos anos com a mesma pessoa. Eu quero-te para sempre mas, e se me perco pelo caminho?
O meu irmão fez anos ontem. Aproveitei o balanço e fiz um bolinho para ele também.
Para quem não o conhece, ele é aquilo que se pode chamar um cabeça na lua, embora selectivo. Só anda na cabeça na lua para coisas que ele acha que não merecem stress.
O bolo estava no conjunto de coisas que não merecem stress. E tem razão… mas stressada foi o que fiquei quando soube que ele ia abraçando o bolo e que ainda por cima ao chegar a casa e poisou o telemóvel, a carteira e as chaves em cima do bolito.
Tive um ataque de frustração que consegui controlar para não ir às lágrimas.

O que importa no fundo é que o bolo estava optimo, era de ananás, e que ficamos com uma história para lembrar e rir do 30º aniversário do P.
Prometi à minha filha um bolo lindo de aniversário. Ela escolheu uma fantástica colmeia.
Quando a fui buscar, a colemia nada tinha de fantástico. Parecia uma colmeia vinda directamete da faixa de gaza depois de exposta às mais diversas agruras de combate.
Recusei-me a trazer tão feioso bolo, principalmente porque tinha prometido um bolo lindo.
Resolvi fazer eu um bolo lindo… não tão lindo como a colmeia, mas tinha que fazer algo mais interessante que um bolo arranjado à pressão numa pastelaria qualquer.
Contei-lhe o que se tinha passado e disse que ia fazer o meu melhor.
Quando ela viu o bolo disse UAU!!!!

Ufff consegui cumprir a promessa…
- Amanhã vou para o matadouro – disse ela, longe de imaginar o que se ia passar.
Fala-se todos os dias da crise, do desemprego, da educação, da saúde.
Ontem depois do jornal da noite falava-se de direitos dos animais, da angústia dos cavalos da arena, da angústia dos toiros de lide desde o transporte até ao toureio.
E quem fala da crueldade como as pessoas são por vezes tratadas no seu local de trabalho? Da saúde que vão perdendo na angústia dos dias incertos, causados pela crise; na angústia por estarem a ser tratados por pessoas cuja “educação” não abunda…
Sim meus caros, também passa por aí… a crise também se mede nas emoções, na crueldade com os outros, na falta de educação no trato com quem nos rodeia, na angústia de não sabermos qual será o dia em que seremos aquele que preenche o número de desempregados por hora, por dia, por mês, por ano.
Vamos para o matadouro… todinhos…
- Oh Chefe! quando for a minha vez, aplica-me a eutanásia, garante-me a dignidade na morte por favor.
Há uns dias a minha filha pediu-me uma capa cor de rosa para o Magalhães. Surpreendeu-me porque uns dias antes eu quis comprar e ela disse que o cor de rosa era feio.
- Mas tu no outro dia não quiseste e agora queres?
- É inveja mamã! Inveja!
Não consigo descrever o ar expressivo dela de olhos bem abertos e os sons articulados da palavra inveja.
- A inveja é feia. Não te vou comprar se é por inveja.
- Pronto… ciúmes. Não é inveja, são ciúmes.
- Neste caso vai dar ao mesmo.
- Mamã, eu tenho um bocadinho assim de inveja – diz ela dimensionando com os dedos o bocadinho da inveja. De seguida abre muito os dedos e diz – Este é o bocado que quero.
- Vou pensar nisso.
A conversa ficou por ali, no entanto dois dias mais tarde ela volta à carga.
- Mamã já viste a capa cor de rosa para o Magalhães.
- A cor de rosa é feia. Não queres antes outra cor? Cor de laranja é giro.
- Mamã a A. tem em cor de rosa. Se não tenho a cor de rosa também ela vai ficar mais popular do que eu. Por isso não importa se o cor de rosa é feio.